A Ponte Invisivel, de Julie Orringer

A Ponte Invisível, de Julie Norringer, Civilização Editora, 2011.

A Ponte Invisível

Paris dois anos antes da Segunda Guerra Mundial, 1937. András, um jovem húngaro que não conseguira entrar numa Universidade em Budapeste, devido ao ambiente anti-semita que se estava a gerar pela Europa, consequência da loucura e política ameaçadora de Hitler, conhece Claire (Klara). Gera-se um romance entre ambos, com todos os ingredientes que hoje sabemos potenciais em qualquer relação onde não se julguem ver os ingredientes “perfeitos” e pressupostos expectáveis. Contratempos entre os dois, uma quase trágica e impossível relação que se vai viabilizando, numa narrativa que não nos deixa demasiado suspense, talvez por nos pretender direccionar para uma mensagem mais central e maior: a ameaça da Guerra e da tresloucura de Hitler e de uma Alemanha, reincidente nessa suposta, mas irreal, superioridade.

Um tanto romance, com temperos apropriados aos gulosos do drama de amor, um tanto de referência histórica, com pretensões de nos situar no tempo, nesse tempo difícil de Hitler, da perseguição aos judeus, da escassez e fome europeias, do roubo ao futuro, do despedaçar das famílias, ideia que trespassa um tanto pelo livros, com as constantes dúvidas de András e Klara, sobre si e sobre os seus familiares.

Narrativa clara, simples e ligeira, sem grande uso de linguagem que nos solicite mais atenção à forma, mas com uma boa capacidade de nos agarrar à mesma, pelo ritmo da mesma e sequência de acontecimentos, A Ponte Invisível é um recomendável romance, com as ditas referências históricas, que surpreenderão os pouco esclarecidos sobre a Europa sem futuro de há setenta anos, e recordarão a outros que em muitas outras épocas, outros loucos podem tomar rédeas na política e tomar de arrogância territórios que usurparão, num ambiente nem sempre de clara ameaça a gentes mais passivas ou mais optimistas. Não louvaria esta obra pela qualidade da linguagem, pela sua elaboração intelectual, mas antes pela consistência entre tema central e tema acessório, bom enquadramento de tempos, ainda que com algumas falhas, talvez propositadas e referências inerentes aos personagens criados. Leitura agradável e envolvente, um tanto compulsiva, e fonte de alguma informação relevante.

Recomendação: 7/10.

  1. Nota: próximas publicações por inerência do tema, sobre ambiente histórico da época, Segunda Guerra Mundial, relevância relativa entre países europeus, Hungria, Alemanha, França e Inglaterra; Personalidades da época (Hitler, Chamberlain, Daladier, De Gaule, Churchill, Estaline, Ribbentrop, Mussolini, Roosevelt.
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