Karl Ove Knausgaard: A minha luta

Knausgaard segue a sua escrita num ritmo coordenado pelo do seu pensamento. Como se se sentisse cada palavra a ser produzida, ao ritmo da passada da sua vida. Pulsante. A sua escrita reflecte um pensamento, e muito sentimento, eminentemente pessoal. A sermos crentes, e ele nos levará a essa fé, estou certo, é impressionante a memória que reservou dos seus dias de jovem e criança. Não de impressões gerais e de uma nebulosa recordação, mas de locais, objectos, expressões das pessoas, e dos próprios pensamentos, trinta anos após, ou antes.

Mas é um prazer ler uma escrita eloquente e rica. Um pensamento culto e que parece vacilar entre lucidez e dúvida filosófica. Sentimos-nos a passear pelo tempo. E nos espaços a que os seus passos nos conduzem. Passamos pelas sombras e luzes de Karl Ove, quase entrando na sua memória, um monumento à mente humana.

Este género literário nunca me havia cativado. Prefiro viajar entre ensaios e histórias ficcionadas. A realidade, nua, da vida de um escritor nunca me agarrou. Mas desta vez, rendo-me a esta qualidade superior, liderado por uma inteligência descritiva incomparável.

Vou seguindo lentamente, entre outras leituras várias, desfrutando. Acompanhando cada pisar de cada folha no passeio de uma rua, cada pensamento que salta a esse ritmo, doloroso e realista, mas corajoso.

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